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  • Pedro Rafael López Lanz

A Venezuela é a maior crise de deslocamento forçado na região

Novo relatório da Plataforma R4V aponta que em agosto de 2022 mais de 6,8 milhões de venezuelanos fugiram do país procurando melhores condições de vida. Hoje a crise venezuelana é maior que a Síria e a segunda depois da Ucraniana.

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Pedro López Lanz - Comunicações Venezuela Global

Fonte: da imagem Plataforma R4V, 2022.


A ONU atualizou em alta, para 6,81 milhões, o número de migrantes e refugiados venezuelanos que nos últimos anos abandonaram o seu país para escapar à crise política, económica e social que afeta a Venezuela.


Os dados foram divulgados pela Plataforma de Coordenação Interagências para Refugiados e Migrantes da Venezuela (R4V), que apenas em julho de 2022 dava conta de que 6,15 milhões de venezuelanos estavam no estrangeiro.


Os dados divulgados centram-se na América Latina e o Caribe, onde, segundo a R4V, estão agora radicados ao menos 5,75 milhões de venezuelanos (5,09 milhões em julho de 2022). O registo dá conta de um aumento de imigrantes venezuelanos na Colômbia, Brasil, Bolívia, Uruguai, Argentina, Panamá, Costa Rica, na Guiana e no Curaçau.


Também apontam uma "leve" diminuição do número de cidadãos naturais da Venezuela no México, Peru e Equador. No entanto, não precisa o número de venezuelanos nos EUA, apesar de representantes do Centro de Direitos Humanos da Universidade Católica Andrés Belo (de Caracas) afirmarem que a emigração para esse país está a aumentar.


Segundo a R4V, a Colômbia continua a ser atualmente o país da região com maior número de migrantes e refugiados venezuelanos, 2,48 milhões, seguindo-se o Peru (1,22 milhões), o Equador (502,2 mil), o Chile (448,1 mil) e o Brasil, com 358,4 mil.


No Panamá estão atualmente 144,5 mil venezuelanos, no México 82,9 mil e na Costa Rica 20,1 mil. Na região do Cone Sul, a Argentina é o país com mais venezuelanos (171 mil), seguindo-se o Uruguai (22 mil), a Bolívia (13,8 mil) e o Paraguai (5,9 mil).


Na área do Caribe, 115,3 mil venezuelanos estão na República Dominicana, 28,5 mil em Trindade & Tobago, 19,6 mil na Guiana, 17 mil em Aruba e 17 mil no Curaçau. Há ainda 1,06 mil venezuelanos em outros países do mundo, segundo a R4V.


Neste sentido William Clavijo, presidente da Associação Venezuela Global, apontou que os dados divulgados mensalmente pelas autoridades brasileiras, confirmam que são muito mais os que saem dos que voltam. “Segundo dados da Operação Acolhida, os números de entrada de venezuelanos continuam em alta, entre julho de 2021 e março de 2022, quando atingiu o pico de 15.786 pessoas, retornando apenas 4.204 pessoas. Para o último mês de junho, o valor mensal mais recente, o número de admissões foi de 10.374 pessoas, enquanto as saídas totalizaram 3.987 pessoas”.


A Venezuela tinha, em finais de 2020, uma população de 28.515.829 pessoas. Hoje, infelizmente foi confirmado o prognóstico da Organização de Estados Americanos que alertou que o deslocamento de venezuelanos poderia superar os 6,7 milhões do êxodo verificado na Síria.

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